O Que A Vida Me Roubou Read Count : 194

Category : Stories

Sub Category : Romance
Recomeçar do zero 

"Sete anos passaram desde a tua partida, Alessandro e ainda hoje me pergunto o porquê de teres partido sem mim e sem o nosso filho naquele maldito avião que te roubou de nós mas a vida continuou e tive que seguir em frente por mim e pelo laurinho. O nosso filho tem hoje sete anos, e é um menino lindo. Ah meu amor, como eu queria que pudesses ver o quão parecido contigo ele é. 
 Os primeiros tempos sem ti foram terríveis só me apetecia chorar, acordava várias vezes de noite lavada em lágrimas sentindo a falta dos teus carinhos, do teu sorriso, do teu cheiro. Saudades tuas minha vida,o que me vale é a ajuda da tua mãe que ficou do meu lado e tem sido o meu apoio já que a Graziela (minha própria mãe) é uma oportunista, interesseira que só quer saber do dinheiro e tu meu amor sabes isso melhor ninguém pois o nosso primeiro casamento foi arranjado por ela. Confesso que a vida sem ti não tem sido nada fácil. A dor da tua ausência e algo que ainda me queima por dentro mas quando vejo o nosso filho a dor da tua ausência diminui e dou-me conta que o motor que me mantém viva é o laurinho e a promessa que lhe fiz de manter viva a tua memoria. 
O nosso filho com sete anos é um menino super inteligente e está cada vez mais parecido contigo... Ah meu amor ajuda-me a suportar a tua ausência e a dar um destino feliz ao nosso filho"
 Depois de ter acabado o seu desabafo no seu diário, ritual que cumpre religiosamente todas as noites desde a trágica morte do homem que ama, Montserrat olhou para a foto de Alessandro e agarrando a moldura contra o peito pensou:
 " Ah minha vida, que falta que tu me fazes! Eu sei que já se passaram sete anos e que tenho que seguir em frente mas ainda não consigo dizer-te adeus! Acho que nunca vou conseguir" 
- Mamã, mamã, mamã! É verdade que amanhã vamos á quinta da tia Carlota? Perguntou Laurinho num tom excitado 
Os gritos entusiasmados do filho, trouxeram Montserrat de volta á realidade e abraçando o filho respondeu sorrindo: 
- É sim meu príncipe azul, amanhã vamos á quinta e se lá estiver o tio Demétrio podes pedir-lhe que te ensine a montar a cavalo.
 - Fixe! O que se passa com os teus olhos? Estiveste a chorar? Perguntou Laurinho vendo a mãe com os olhos marejados
 Ao aperceber-se que as lágrimas lhe caiam involuntariamente do olhar, Montserrat tentou disfarçar e respondeu:
 - Não meu amor, foi um sisco que me entrou para os olhos mas está tudo bem não te preocupes meu príncipe azul. 
 - Laurinho filho, está na hora de dormir meu amor. Disse mãe Rosário aproximando-se do neto e da nora 
 - Ah não vovó, hoje fico aqui com a mamã. Disse o menino
 - Mas laurinho a mamã amanhã trabalha. Respondeu mãe Rosário
 - Não trabalha não, amanhã vamos á quinta,foi a mamã que disse. Disse o menino 
 - Mas... Respondeu a mãe Rosário ao ouvir as palavras do neto
 - Tudo bem mamã Rosário deixe-o ficar aqui. Vai ser bom dormir agarradinha ao meu príncipe azul. Disse Montserrat 
 - Tens a certeza querida? Perguntou Rosário ao ouvir as palavras da nora
 - Tenho mamã Rosário, vai ser bom para mim ter a companhia de alguém aquí do meu lado.. Vá tranquila. Respondeu Montserrat olhando a sogra olhos nos olhos
 - Está bem então sendo assim, vou-me deitar e Laurindo não aborreças a tua mãe que, ela está cansada, Ok? Disse Rosário 
 Depois da sogra ter saído, Montserrat abriu a cama e disse:
 - Bem meu príncipe azul está na hora de dormir vamos enroscar-nos um ao outro como fazíamos quando eras bebé?
 - Sim mamã... Respondeu Laurinho olhando a mãe olhos nos olhos 
 Ao ouvir as palavras do filho e ao vê-lo com aquele olhar intrigado, Montserrat olhou-o olhos nos olhos e perguntou:
 - O que se passa meu príncipe azul? Que carinha é essa? 
 - Não é nada mãezinha, não é nada. Respondeu Laurinho olhando a mãe olhos nos olhos 
 - Laurinho, eu conheço-te príncipe azul! Não adianta tentares esconder-me as coisas. Fala comigo meu amor! Pediu Montserrat olhando o filho olhos nos olhos
 - Não mamã, deixa pra lá. Não te quero magoar e deixar-te triste... Respondeu Laurinho num tom protetor
 - Meu amor, eu sei que estás a tentar proteger-me do sofrimento mas sofro ainda mais se me escondes as coisas...por isso fala á vontade com a mamã. Disse Montserrat olhando o filho olhos nos olhos
 - Mamã, o meu pai gostava de mim? Eu fui um bebé muito desejado não fui? Respondeu o menino
 - Claro que te amava, o teu pai era um pai babado e sim tu foste o bebé mais desejado do universo. Quem te disse o contrário? Perguntou Montserrat acariciando o rosto do filho
 - A bruxa da Graziela, às vezes pergunto-me porque é que ela é assim tão má? Respondeu o menino 
 - Porque a tua avó é uma pessoa frustrada e como não consegue ser feliz destila o seu veneno em torno de toda a gente que esteja feliz por isso não dês importância ao que ela te diz,sim meu príncipe azul? Perguntou Montserrat olhando o filho olhos nos olhos
 - OK ás vezes acho que ela não regula bem da tola. Respondeu o menino olhando a mãe olhos nos olhos
 - Concordo contigo meu amor e vamos combinar uma coisa, sempre que alguém te falar mal do papá tu vens dizer-me está bem? Perguntou Montserrat acariciando suavemente o rosto do seu menino 
 - OK mamã. Respondeu o menino
 O tempo foi passando e na manhã seguinte, Laurinho acordou animado e ao ver a mãe dormir täo tranquilamente seguiu para a cozinha onde a avó já lhe estava a preparar o pequeno almoço.
 - Bom dia vovó Rosário! Disse o menino
 - Bom dia laurinho, a mamã já acordou? Perguntou Rosário
 - Ainda não, ela estava tão bem a dormir que eu não a quis acordar. Respondeu o menino 
- Fizeste bem meu amor, ela tem andado cansada. Desde que o papá partiu as coisas não têm sido nada fáceis para a tua mãezinha querido.Disse Rosário olhando o neto olhos nos olhos
 - Eu sei avó, às vezes dou com ela agarrada a foto dele a chorar. Ás vezes gostava de ser maior para poder ajudá-la mais mas ainda sou pequeno. Disse Laurinho 
 - E tu ajudas imenso laurinho, é ao teu amor que a tua mãe vai buscar forças para suportar a falta que o teu pai lhe faz.Respondeu Rosário
 - Não sei como mas OK. Bem vou vêr se a minha mãezinha já acordou. Disse o menino
 - Está bem Laurinho, vai lá. Respondeu Rosário
 Ao chegar ao quarto da mãe, o menino aproximou-se e acariciando-lhe o rosto disse:
 - Mamã, acorda mãezinha! Já é dia... 
 Ao ouvir as palavras do filho, Montserrat puxou-o para o seu lado e respondeu: 
- Ah e tão bom acordar assim! O meu principe azul veio-me acordar! Como é que estás meu amor. Já comeste?
 - Bem, ainda não. A vovó Rosário ainda estava a fazer o pequeno almoço. Disse o menino
 - Ah então ainda temos tempo para uns beijinhos, abraços e cosiguinhas também. Eu amo-te meu amor. Respondeu Montserrat
 - E eu a ti mãezinha. Disse o menino 
 Nesse preciso momento Rosário entrou no quarto da nora e ao vêr a ternura de ambos disse: 
- Decidi trazer-vos o café da manhã á cama, assim aproveitam mais um pouco da companhia um do outro. 
 - Obrigada mamã Rosário. Respondeu Montserrat
 - De nada, bem deixo-vos sozinhos. Disse Rosário 
 Ao vêr a sogra sair do seu quarto, Montserrat serviu o pequeno almoço ao filho e disse:
 - Vamos comer meu amor?
 - Sim mamã! É hoje que vamos á quinta da tia Carlota? Perguntou o menino 
- É sim meu amor!  A mamã, vai só  arranjar-se e vamos. Disse Montserrat acariciando o rosto do filho
 - Está bem mamã.  Respondeu o menino
 O tempo foi passando e depois de se ter arranjado e de ter arranjado o filho,  Montserrat pegou na chave do carro  e rumou até á quinta da família e ao vêr o irmão, exclamou:
 - Demétrio meu irmão!  Que bom ver-te,  agora mal apareces lá em casa...
 -  Pois é maninha, o teu irmão agora é um homem casado e com muitas responsabilidades.Respondeu Demétrio
 - Isso não é um argumento valido! Eu sinto falta do meu irmãozinho e depois o Laurinho sente a falta do tio para brincar,  não te esqueças que és a única referência masculina que ele tem desde a morte do pai. Disse Montserrat esboçando um sorriso triste.
 Ao ouvir as palavras, Demétrio acariciou-lhe o rosto e respondeu:
 - Pois e quando o Alessandro morreu, o Laurinho era muito pequenino.
 - É mano, o teu sobrinho tinha apenas 10 dias o que tornou tudo ainda mais doloroso para mim... Ah Demétrio já se passaram 7 anos e esta ferida ainda dói tanto é como se a cada dia que passa a dor aumentasse. Desabafou Montserrat olhando o irmão olhos nos olhos   
- Eu sei miúda eu senti o mesmo quando a Mónica morreu, mas tens que seguir em frente nem que seja pelo Laurinho. Disse Demétrio olhando a irmã olhos nos olhos
Nesse preciso momento a minha mãe aproximou-se e com o seu cinismo de sempre disse:
- Montserrat querida estás aqui. 
- Sim mãe  e nós duas temos que conversar. Respondeu Montserrat olhando a mãe olhos nos olhos 
- Passasse alguma coisa?  Há algum problema Montserrat? Perguntou Graziela olhando a filha olhos nos olhos 
- Sim há um problema mamã.  Porque é que foste dizer ao teu neto que o Alessandro nao o amava. Porra mamã, o Laurinho é só uma criança. Respondeu Montserrat olhando a mãe olhos nos olhos 
- E dai?  Por ser pequeno não pode conhecer o carácter do pai.  Ou será que  lá  porque está morto fica ilibado de todos os crimes que cometeu? Perguntou Graziela  num tom frio 
Ao ouvir as palavras da mãe,  Montserrat desabou num pranto descontrolado, e olhando a mãe olhos nos olhos perguntou:
- Porquê  mãe?  Porquê tanto ódio por mim?  Que mal é que eu e o teu neto te fizemos? 
Ao vêr a sobrinha naquele estado,  Carlota aproximou-se e disse: 
- Pára Graziela,  ja basta o que a tua filha está a sofrer.  O Alessandro era seu genro e caso não te lembres embora a Montserrat se tenha apaixonado por ele foste tu quem arranjou o casamento deles, mesmo que o motivo fosse seires da miséria mas a tua filha apaixonou-se por ele e agora que ele morreu acho que devias dar um pouco de conforto a pobrezinha. 
- Não vale a pena tia.  Para a minha mae eu sou um zero á esquerda.  So não entendo porque é que a minha mãe me odeia tanto. Respondeu Montserrat enquanto as lágrimas lhe caiam do rosto 
- Eu sei meu amor, mas não fiques assim.  Pensa que podes não  ter o amor da tua mãe  mas tens um filho lindo que te ama e que precisa do teu amor para crescer num ambiente feliz... Disse Carlota 
- Eu sei tia, e acredita que é o amor do meu menino que me tem dado forças para continuar a viver depois da morte do meu marido. Há tia o Alessandro faz-me tanta falta.  O que vai ser da minha vida  sem ele. Respondeu Montserrat chorando 
O tempo foi passando e nesse preciso momento,  Laurinho apareceu na sala e ao vêr a mãe chorar perguntou:
- O que se passa mamã?  Porque choras? 
Ao ouvir as palavras do filho,  Montserrat limpou rapidamente as lágrimas do próprio rosto e respondeu:
- Por nada meu anjo, ao olhar para ti dei-me conta de como és parecido com o teu papá e não consegui conter as lágrimas. 
- Sentes falta dele não sentes? Perguntou Laurinho olhando a mãe olhos nos olhos
Ao ouvir as palavras do seu pequeno príncipe, Montserrat aconchegou-o nos meus braços e tentando não chorar respondeu:
- Muito meu amor, a morte dele deixou um buraco no fundo da minha alma, e acho que por mais anos que passem ninguém vai conseguir fechar esta ferida. 
Ao ouvir as palavras da mãe,  Laurinho sorriu e num tom carinhoso disse:
- Não chores mamã,  eu sei que o meu amor não chega para apagar a ausência do papá mas espero que ajude a diminuir um pouco a tua saudade. 
- Claro que ajuda amorzinho da mãe, o teu carinho é o que me tem dado forças para continuar a viver. Obrigada amor da mãe. Respondeu Montserrat olhando o filho olhos nos olhos
- Não tens que agradecer mamã,sou teu filho.  Tenho que te ajudar e depois tu já fizeste tanto por mim e eu nada fiz para te agradecer.  Disse  Laurinho olhando a mãe olhos nos olhos 

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